Existem inúmeras formas de se expor sentimentos e idéias. Particularmente, acho a fala a mais besta e idiota de todas elas. É justamente falando, que a maioria das pessoas não consegue se fazer entender. Como se o grau de subjetividade fosse inversamente proporcional à facilidade de exposição.
Assim, a gente acaba com preguiça de concatenar tanta coisa rodando na cabeça e se despede com “boas férias”, “até mais” e afins ou pergunta a hora, pensando no sentido da vida.
Eu já escrevi um email pra ser lido na minha frente, só pra não correr o risco de perder a linha de raciocínio e não conseguir dizer tudo que precisava. E é assim, eu falo demais sem dizer nada e digo tudo sem abrir a boca.
E tem gente que pinta, outros dançam, outros presenteiam. Tem quem fere, querendo dizer e tem quem diz, querendo ferir, quase como que fisicamente.
Não é o fim do mundo quando duas pessoas usam linguagens diferentes. Uma sempre pode aprender a linguagem da outra e, quando isso não é possível, sempre há uma forma de tradução. Uma vez conheci uma menina que só falava inglês. Eu na época conhecia meia dúzia de palavras, incluindo “kiss me”. Conversamos por mímica a noite toda. Nem tudo podia ser entendido assim, então, usamos uma linguagem universal. Tem coisas que não precisa de linguagem específica.
Por isso eu sinto por quem não tenta nenhuma das formas e deixa tudo não-dito, como se não fosse fazer diferença. Esses vão ficando pra trás. Esses matam o amor. E vão morrendo junto, sem que a gente possa fazer nada.
Mas os meus preferidos são os que cantam. Que juntam todas as linguagens numa só e fazem você se apaixonar até pela melodia que embrulha um contexto onde você se fode. Tem que ter muita alma, muito sangue correndo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário